Tato'

Derlour Dantas
Mãos macias e ávidas pelo toque,
O olhar atraente e faminto,
Lábios úmidos, com sabor de gente,
Mordidas, lambidas, dentes!
Pele quente, trêmula pelo tato,
Respiração ofegante,
Suspiros, gemidos, desejos profundos,
“Fulguras ó brasão” do mato...
Desnudo ser calado,
Pedindo, implorando, se entregando,
Abrindo-se a invasão do outro,
Sentindo o membro rijo,
O suor, os pêlos, o líquido...
O nirvana, o sexo, o amor
Abrigo!

Sobre algo que ouvi...

Ouvi que era crime ir contra a Constituição. Ouvi que era violência ir contra a ideologia. Loucura ir contra o sistema. Preguiça ir contra a técnica. Transtorno ir contra a norma. Ouvi tantas coisas ao longo dessa vida, que a maioria me parecia só bestialidades. Atualmente vejo o quão são nocivas. Ser diferente e sensível talvez tenha tomado diversos lugares, nesse universo que chamam de sociedade. São tantos grupos, conceitos, definições, categorias... São tantas tribos e culturas, ética de um grupo ou de uma hierarquia. É tanto não sei o quê, que me fica uma dolorosa e inquietante dúvida: onde fica o humano nessas enxurradas de prioridades? Cadê a experiência? Onde foi parar aquilo que nos fazia humanos? Ou o humano é justamente esse ser racional que não se importa nem um pouco com a vida? Só com o Capitalismo, um Sistema falido e com a sentença e o juízo ao alheio? Onde colocamos o amor entre a bestialidade e o preconceito? Estou cansado de discriminações e violência em suas diversas formas como cotidiano e normatividade e as diferentes formas de amor se tornando mais um trabalho burocrático, sendo chamado de aberração ou só sendo considerado como mais um excluso-mercado!

Obs.: Caso tenha achado confuso, busquem as últimas informações do nossos excelentíssimos representantes governamentais, suas discussões e algo mais sobre a PL 122... Na dúvida podem utilizar-se do Google ou qualquer outro Site de Pesquisa!

Noite e chuva'

Derlour Dantas

A chuva faz uma orquestra, molhando tudo o que consegue tocar. Ela se insinua no vento, parecendo bailar com um cavalheiro robusto e flexível. Ela baila até seu corpo tocar a superfície inconstante, ora uma telha quebrada no chão, ora a grama que deveras ter sido seca e opaca, ora apenas o chão que agora se faz lamacento por culpa da chuva. A chuva, sua melodia e dança, me fazem lembrar as lágrimas diversas, a dos sorrisos profundos e das tristezas leves e tantas outras lágrimas que se foram e vêem. A chuva é uma dama de profunda e rara beleza, tão sutil seria se não fosse o vento e o som. As brisas que conseguem passar por entre as gotas e esbarra nas árvores e paredes, provocando balbucios que torna a chuva ainda mais mística e senhora. São palavras minhas, que surgem de outro em meio a mim e na presença cautelosa da chuva que rebenta e parte toda a superfície que toca, modifica, molha.

o Som

Derlour Dantas

Sou uma pessoal auditiva. Gosto do som das coisas... Gosto do brilho também... E do cheiro. Confesso que não consigo eleger um dos sentidos sensoriais. Mas queria por enquanto me ater ao som. Estive precisando de carinho, estou meio carente por esses tempos. O amor se faz presente, perfeito, o melhor para mim. Porém, estou falando da carência de ser ouvido, de ser escutado e entendido pelo que digo. Sem as tantas figuras de linguagem e julgamento, sei que é impossível. Estou desejando o impossível, dando-me esse adendo pela licença poética que me assumo. Estou precisando de colo auditivo... Não por acaso senti um momento de carinho, vozes femininas em meus ouvidos. Elas cantavam seus sentimentos, aparentes exageros que muito se assemelham ao que quero ser ouvido! Assim algumas lágrimas se lançaram, desabafei aos cantos do mundo, ao meu amor fui sincero, a mim fui audacioso... Aqui ficam essas palavras no momento! Som!

Voltando'

Derlour Dantas

A voz de Bethânia parece uma pluma a massagear minha alma. É como se por ela eu pudesse ser diferente, outro ser nesse universo que não caibo. Não caibo não pelo universo ser pequeno para mim, pelo contrário, eu que pareço desnecessário a esses espaços. Sentir-me, certa vez, como uma poeira, um cisco sem existência, mas logo em seguida percebi que incomodava com minha forma e minha essência. Não tenho a Lua nesse momento, Bethânia já se foi, estou sozinho a ver Madagascar na TV, mas estou sem vontade de rir. Apenas quero ficar aqui quietinho. Voltarei para a cama, de onde acho que hoje não deveria ter saído... Exceto, obviamente, pela presença de Bethânia!

T'aime,

Derlour Dantas
Essa noite veio à luz da lua
Sinuoso, em passos lentos
Apenas sua respiração
E minha alma nua.
Não fora o susto nem o tormento
Tampouco o desejo da carne crua
Do abraço e do alento,
Fora algo mais que presença
Palpitações,
Calafrios frenéticos do coração
Quase escapa dos lábios úmidos
Aquele som revelador
O nome,
O segredo de quem guarda a chave
Para abrir minha prisão.
Vem meu ser alado,
Agora você é minha vida,
Amor, Alma e Salvação
Minha súplica de redenção!

Sábado de Lua'


Derluh Dantas
Gosto das mariposas e borboletas para além das suas metáforas. Assim, também, me é a Lua. Disseram que ela estava mais próxima da Terra, tentaram me convencer pela visão. Porém, eu a senti mais longe esse sábado ido. Contudo, o sorriso de um pequeno anjo endiabrado, que muitos dizem se parecer comigo, me fez ir por outros espaços. Logo o ser de maior apreço me apareceu dizendo estar chateado. Não importaram os acontecimentos de agora, minha alma está em um casulo, em uma pluma leve e sutil. Minha alma se foi repousar às asas de uma mariposa pequenina, que de alto da árvore observava os hipócritas fantasiando aladas mentiras. Confesso que o que me falta em inspiração nessas palavras, me sobra em sentimentos no coração. Agora, sinto que verdadeiramente vale à pena: sussurrar ao pé do ouvido ou gritar em cima dos telhados. Acredito verdadeiramente que esse amor será para sempre... Meu sonho, meu sentimento, meu menino mais que alado!

Algo sobre mim'

[sem indiretas, apenas palavras de sobressalto antes de dormir]

[sem imagens disponível]

Derlour Dantas

Estava me preparando para o banho quando alguns pensamentos me tiraram de órbita. Sinceramente não sei por onde fui, nem mesmo pelo que fui levado. Apenas sei que eram pensamentos rápidos e intensos, que logo se foram sem deixar aviso. Em seguida, fui surpreendido por uma sombra na parede e assustado pela mariposa. Pensei que eu ia observá-la, mas na verdade ela quem brincava comigo. Durante o banho uma realidade íntima me ocorreu: eu sou intenso, não sei ser de outro jeito. Sou um sujeito comum que vagueia pelas ruas a se inventa invisível, porém, posso ouvir alguns comentários a meu respeito. Sou percebido! Acho, que como sou, aprendi que só vale se for profundo ou nas alturas, a superfície rasa me incomoda e me fere. Tantos pensamentos vieram antes, durante e após a brincadeira da mariposa. Fiquei com uma certeza: posso ter meus pés no chão, mas minha mente vagueia ou muito acima ou muito abaixo dele!

Não devia'

Derlour Dantas

A mente não consegue se esvaziar, se parece um enredo maluco de muitos retalhos. Vasta é sua complexidade. Tantas imagens, formas e cores. Contudo, todo esse mundo de artes me leva para perto de apenas um sorriso... Tenho medo de nesse conto de fábulas, vencer o vilão. Sabe aquela lança afiada do preconceito? Pois é. Nosso beijo parece imundo e proibido, quando estou nele não me importo. Mas são tantos os olhares. Antes tinha vontade de morrer, por parecer abominável (ainda somos chamados assim: promíscuos, anomalias, pervertidos...). Agora tenho medo da morte, medo do meu bicudo ser prejudicado. Talvez pareça que aqui e agora tenha me revelado, mas nunca coube em nenhum armário... Esse é o problema dos diários virtuais... Parei por enquanto, voltarei aos meus pensamentos de monte!

Sobre "JRock" e me'


Derluh Dantas
Minha trilha sonora mudou o ritmo e o tom. A voz ficou rouca, grave, não há mais aquela melodia arrumada. A letra se tornou mais intensa, como se existissem palavras que nunca tenham sido ditas e agora dançam com toda sua ousadia. Até novos idiomas surgem, sons incompreensíveis são sentidos. O inaudito se torna um lugar a ser visitado, apelido, assinatura e o mais intenso abismo. O japonês se torna presente e objeto de ciúme, uma loucura provocada pelos sentidos... O intervalo se torna algo além da música, ocupa outros espaços, provoca reações e se torna vício... Não sei ao certo o que queria ser dito, mas permiti o ocorrido, deixarei o que ouvi, o que pode dizer de mim e meu pedido:
“Ne Me Quitte Pas... Ne me quitte pas Je t'inventerai Des mots insensés que tu comprendras Je te parlerai De ces amants-là Qui ont vue deux fois Leurs coeurs s'embraser Je te racontrain L'histoire de ce roi Mort de n'avoir pas Pu te rencontrer Ne me quitte pás”

Sobre meu carnaval'

Derlour Dantas

Foi-se o carnaval. Não tive a presença de foliões, nem grandes atrações musicais, nada disso. Vi algumas tantas brigas e assaltos na TV, meu primo completamente bêbado chagando em casa aos berros de ameaças, tive até a oportunidade de ver mentiras sendo ditas em forma de homenagens, sem faltar os tantos assaltos vistos em tempo real e ao vivo. Pois é, para mim o carnaval foi regrado a maresias e violências. Contudo houve sim os momentos de alegrias. Em meio à atribulada presença do “espírito carnavalesco” eu meditei, mergulhei no meu íntimo e pude sentir presenças. Lembrei-me de sorrisos espontâneos e jeitos particulares. Vi o mar pedir e oferecer socorro. Pude sentir o céu de um azul anil completamente excêntrico. No mais, meu carnaval foi de emoções intrínsecas e a certeza que nunca vou entender o ‘humano’.

Na noite'


Derlour Dantas
Uma multidão de caras carimbadas. Aparentes sujeitos comuns. Não há brilho. Os olhos buscam um sentido, algo no poste. O esqueleto de uma raia com sua rabeta presa entre os fios de um poste, baila a luz da lâmpada amarela. Parecia uma dança particular, um mistério sem fim. Portal que me fez sentir você dentro de mim. Durante o dia, minhas pegadas não se misturavam as outras na areia. Meus passos se faziam silenciosos e sem marcas. Apenas havia o pensamento de ter você a cada instante íntimo comigo!Derlour Dantas

Santa Pesquisa: