Fábulas cotidianas'
Orando ao mar e sendo instigado pelo céu e pelo vento!
pensando na fé'
Tentativas de voltas'
Derlour Dantas - Com saudades do Cajuh
Meus melhores textos e poesias, eu sinto que me surgem quando eu não tenho ao alcance das mãos a possibilidade ou oportunidade de registros. Tento gravar na memória, mas se perdem como um sopro de outras palavras que surgem. E eu fico com aquela sensação de que o mais importante eu não digo, não registro, não exponho e vou vivendo aos poucos como consigo. De exemplo, no banho *da pouco me veio uma prosa bonita entre o eu, o tempo e as feridas. Era algo sobre uma vontade miúda de voltar aqui, de voltar lá, de voltar para mim. Mas no findar do banho, a poesia já era espumas se desfazendo com o cair das águas do chuveiro e indo para longe com o sugar do ralo. É que o Tempo nem sempre é esse Deus bonito que falaram à canção e tanto dizem em cantigas e orações. O tempo pode ajudar a curar feridas, é verdade, mas o tempo não ajuda com as dores da alma e com as cicatrizes. É que o tempo é bom mesmo, ao que parece, em desgastar, cansar, romper, não sei dizer mais, é que eu queria voltar aqui com um arranjo bonito de palavras e rimas. Mas nem fui pular carnaval, nem senti uma vontade legítima. E eu voltando aqui é o incentivo de um amigo de prosas virtuais e da vontade constante de eu me encontrar comigo e ser de novo esperança, coragem, poesia, vida, sentido e um tanto mais que eu sei que já fui um dia. O tempo não tem sido muito o meu amigo, mas sempre que penso, ele é generoso e eu vou tentando um acordo dele comigo.
Escrevendo pra não desesperar '
Olhando pro passado, sempre fui um bom aluno. Havia certos destaques em algumas áreas e bom em outras. Nunca repeti o ano e se fui pra recuperação/prova final foi uma ou duas vezes, sendo uma delas educação física, que eu me recusava a jogar futebol (educação física para meninos se resumia a isso na escola que eu estudava). Eu me envolvia em questões sociais e políticas. Na Universidade não foi diferente, nunca perdi qualquer matéria, fui membro eleito do Centro Acadêmico, me envolvia ainda mais e amava. Depois fiz especialização, mais dois anos e alguns estresses, sempre acima da média. Costumam elogiar minha inteligência e proatividade, criatividade, resolutividade...
Mas vamos ao sistema do mercado de trabalho... Tenho 34 anos, não tenho qualquer estabilidade financeira, não tenho autonomia e a dinâmica do contratar, concorrer, permanecer, sair, ficar - tem me adoecido de formas que eu me pergunto: Vale mesmo a pena!?
Eu amo minha trajetória e tenho muito orgulho das leituras, discussões, encontros, aprendizagens e tudo mais, só que quando olho a realidade e em volta, a inteligência que é valorizada ainda é o nome, a bajulação e qualquer outro talento que parece que eu não tenho.
Azar no amor, azar no jogo, azar no dinheiro... E onde fica a boa sorte pra mim, ainda não sei. - mas sou resiliente e criativo, vou ter (ainda que apenas rápidos segundos) de vida e de prazer. 🥰 - cortem minhas asas, que usarei meus pés, prenda meu corpo, que eu usarei a minha imaginação...
Uma voltinha sincera:
Derlour Costa Dantas
Eu não sei!
Eu sinto. Sinto muito. Sinto o que não queria sentir. Sinto como
não queria sentir. Sinto como não imaginei ser possível sentir. Mas não
consigo, não sei expressar esse caos que se expande dentro de mim, esse vazio que
me sufoca, essa falta de não sei do que e que me faz completo e inteiro e quebrado
e...
Eu não sei!
Eu leio o rótulo. Eu leio o manual de instruções. Eu desconcentro,
concentro, coentro... Eita, eu me perdi. Uma tentativa boba de dizer que eu tento.
Eu tento sair da cama pela manhã e quem sabe um sorriso, mas não consigo
qualquer desfaçatez antes do café amargo com leite Ninho (Ei, bem que poderia
ter um patrocínio, porque a lata de leite ninho anda caríssimo). Eu tento
buscar uma dose de desejo, um instante bobo de prazer, mas tudo desanda na
primeira tentativa, no plano mesmo. Eu tenho andado bem cansado. Bem verdade
que nem andado eu tenho ido, só cansado mesmo. Cansado pelo que!? Acho que
basicamente de respirar, viver (se bem que eu só sobrevivo), sentir...
Eu não sei!
Por que essas palavras agora? Pra que dizê-las assim? É para
alguém?
Eu não sei!
São sobre mim, para mim. É um desabafo pra ninguém. E digo
porque elas se fazem vivas, mas do que eu me sinto. Elas querem me tirar pra
dançar, provocar um alívio, sem muito sucesso. São como amigas animadas diante
de um sujeito moribundo. Tenta estender a mão, tentam colorir a cena, tentam,
tentam, tentam.
Eu não sei!
Vou colocar um belo samba de roda e tentar sentir um pouco
mais a letra, o ritmo, o toque e quem sabe?
Eu não sei.